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Religião e Religiosidade

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Muitas vezes, ao nascer, já herdamos de nossos pais, familiares ou pessoas responsáveis por nossa educação, a religião que eles seguem.  A religião da maioria. Podemos nascer numa família  ateia, embora isto  pareça não ser a regra, pelo menos não em nosso País.

Podemos seguir por aquele caminho sem questionamentos, até o momento em que começamos a fazer nossas próprias perguntas.  Nossa alma passa a exigir respostas que fórmulas e preces repetidas de forma dogmáticas não se encaixam mais. Buscamos aprofundamento na religião que seguimos para encontrar estas respostas, ou mudamos, se não as encontramos.

Esse nosso anseio interno pelo espiritual é o que chamamos de religiosidade. Ele é inato, está em nós. A religião é o caminho (externo) que talvez nos ajude a chegar aonde almejamos, se é que existe uma linha de chegada para esta busca, pois como seres humanos imperfeitos (na verdade há uma redundância aqui), pois ser um humano, já nos caracteriza como imperfeitos, continuemos: como seres humanos, mudamos todos os dias, aprendemos todos os dias, queremos outros caminhos todos os dias, e a religião que eu sigo precisa comportar estas mudanças. Se ela não consegue mais me trazer as reflexões que preciso para que este contato com o espiritual continue, provavelmente aquele caminho não será mais motivador. Outra forma de ligação surgirá. Talvez até uma religião pessoal. Não, não estamos falando em fundar uma igreja ou uma nova religião, mas em você encontrar o seu local sagrado em você mesmo.

Religião não é algo permanente na vida de ninguém. Posso sim abandonar aquele caminho religioso e encontrar um outro, ou transformá-lo ou adaptá-lo às minhas buscas. A religião precisa se adequar as mudanças de vida que ocorrem com cada um de nós. A religião precisa ser atualizável e adaptável. E aí você pensa: somos muitos, muito diferentes, será impossível uma religião atender a tantos! Sim, por isso que temos a diversidade religiosa, por isso precisamos respeitar o caminho de cada um, as escolhas de cada um, assim como queremos respeito pelas nossas escolhas.

Somos diferentes, temos ideias diferentes, comportamentos diferentes, culturas diferentes, valorizamos mais algumas coisas do que outras, a depender da cultura em que estamos inseridos. E mesmo inseridos em uma mesma cultura, continuamos diferentes. Uma coisa porém é comum: nosso desejo pelo espiritual, nossa busca pelo divino, nossa religiosidade.  Como espíritos imortais, por quantas religiões já passamos? Quantos caminhos já experimentamos? Sua religião lhe leva a reflexões constantes? Sua religião consegue traduzir, nem que seja em parte, a sua religiosidade?

Autora: Laísa Boaventura