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O entardecer em nós

 
O processo de envelhecimento pode ser comparado ao entardecer, momento em que o Sol se põe em nós. Este processo promove em muitas pessoas o medo, a insegurança, a culpa, o desespero, entre tantos outros sentimentos e emoções.O envelhecer nos assusta porque, ao longo das nossas vidas, não nos preparamos para este momento, que é resplandecente para o espírito. Geralmente, na nossa trajetória, vivemos de forma inconsciente, sem pensar nos dias que se vão para nunca mais voltar, sem perceber a importância do papel que cada pessoa tem em nossas vidas para o nosso crescimento, inconscientes do que sentimos, sem expressar os sentimentos que, em muitos momentos, poderiam fazer toda a diferença. Contemos as emoções responsáveis pelos desajustes e adoecimentos, sem pensar nas experiências significativas que serão fundamentais para o enfrentamento deste processo de transição, que é enobrecedor.
O entardecer pode não ser de fato o melhor momento da nossa vida, por começarmos a perceber que o nosso corpo já não se movimenta mais como antes, já que está cansado; percebemos, também, que deixamos de fazer muitas coisas e outras sequer teremos mais tempo; ainda no entardecer, notamos que a solidão se apresenta sorrateiramente, assustando aqueles que acharam que jamais sentiriam falta de alguém. Assim, muitas culpas assumem o controle dos pensamentos, tornando o entardecer doloroso e sofrido.
Mas aqueles que têm a coragem de apreciar o pôr do sol conseguem perceber sua beleza e grandeza, mesmo diante de todo conflito existente nesta fase. É a hora da calmaria, na qual a maturidade se apresenta, dando sentido e significado à vida, que aos poucos vai concluindo o seu ciclo. Nesse momento, a pressa já não é mais necessária, a ansiedade dá espaço ao entendimento de que nada está fora do lugar e que tudo tem seu tempo. O que antes não se explicava já faz todo sentido agora; a compreensão aflora, nos dizendo que fizemos o que nos foi possível. 

O pôr do sol é necessário para que tenhamos tempo de respirar, ajustar os passos, apreciar a beleza da vida, para que, em breve, possamos recomeçar.

Autora: Verônica Menezes