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Espiritismo, vida e pós-modernidade

pessoa-triste-olhando-o-horizonte-solA vida apresenta, cada vez mais, uma complexidade de compreensão e adequação maior. A noção de tempo-espaço vincula as consciências a uma realidade imediata e afasta o ser humano do que lhe é mais essencial e movimenta a vida. Ansiedades, angústias, transtornos, doenças diversas apresentam ao Ser encarnado indicativos de que é preciso ampliar a capacidade de perceber a realidade na qual se está inserido e atualizar a sua visão de mundo.

 O universo conspira para que os horizontes espirituais sejam perceptíveis e alcançáveis. Direciona a realização da vida objetiva apontando a necessidade de transcender os imperativos de estímulos externos que distanciam o Ser da sua natureza essencial. Apesar do estado de sonolência, há um movimento que arrasta a individualidade ao processo de despertamento da vida consciente.

 O Espiritismo tem apresentado uma proposta de compreensão progressiva acerca da realidade, convidando o indivíduo a uma mudança de direção no curso da vida. A doutrina favorece, através do paradigma espiritual, novos horizontes a serem explorados, proporcionando ampliado sentido por meio da conscientização da imortalidade. Convoca, dessa forma, aqueles que são atraídos a novas vivências, experiências significativas, que preenchem o vazio decorrente da desconexão de si mesmo.

  Contudo, verificam-se lacunas quanto à conscientização da imortalidade, o que dificulta um aproveitamento melhor dos recursos que a vida oferece. As crenças, muitas vezes, são fator decisivo no processo de atualização do Espírito, estagnando-o. A indiferenciação do corpo limita a progressão, evidenciando a necessidade do amadurecimento, único caminho de construir a paz que tanto se anseia.

  O Espiritismo indicando a imortalidade proporciona ao Espírito a liberdade necessária para construir seu caminho por meio do desenvolvimento de habilidades e competências que favoreçam uma melhor adequação às condições de vida que ele mesmo criou, apontando que, através da reencarnação, se estabelecem relações com seus pares e com o meio, através do exercício de papéis nas dimensões da vida encarnada, direcionando a identificação das tendências a serem educadas e o aproximando da espiritualidade que lhe é própria.

 Explorar a própria dimensão espiritual em consonância com a vida material, conscientizando-se de que a realização pessoal é exercício diário e intransferível, cria – no mundo interior – um ambiente favorável para lidar com as incoerências da vida. Nunca é demais dizer que Espiritismo é coisa séria e, desta forma, deve ser aplicado para não se correr o risco de cair em meio ao vão da inocência. Carecemos de objetivos além das realizações comuns para que a vida seja preenchida do sentido que falta como condição indispensável para uma vida coerente e satisfatória consigo mesmo, o que proporciona viver o essencial, divino, não material.

Autor: Júlio Leão