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Onde me escondo?

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Onde me escondo? É imprescindível que eu me faça essa pergunta pela mais importante necessidade que tenho de me descobrir, de me encontrar e de me entender melhor. Vivemos escondidos de nós mesmos de forma que nem sabemos quem verdadeiramente somos.

Vivemos iludidos e escondidos em nossas próprias profundezas onde existem vários
esconderijos nos quais nos refugiamos ao longo de nossa vida e aprendemos, desde muito cedo, a arte de nos esconder como a melhor opção de sobrevivência. Aprendemos a esconder os nossos sentimentos, pensamentos, desejos etc.

Essa “arte de esconder” tem nos distanciado de nós mesmos, promovendo um imenso abismo em nosso mundo íntimo e nos colocando no caminho rumo a angústias, aflições, doenças e tantas outras situações que subtraem o nosso brilho, a nossa liberdade e o desejo de realizar e ser feliz.

Onde me escondo? Será que por trás de atitudes que camuflam os mais nobres sentimentos, sabotando as ações que poderiam facilitar as relações familiares, afetivas e sociais?

Onde me escondo? Será que submersa nas mentiras, enganos, ilusões e lamentações que justificam a permanência no sono profundo, nutrindo o medo por acordar para a realidade de mim mesma?

Onde me escondo? Será que envolvida no véu que encobre a minha visão sobre mim mesma, impedindo o desejo de encontrar respostas que esclareçam as minhas próprias perguntas: de onde vim? Quem sou? Para onde vou?

Onde me escondo? Será que mergulhada em alguém que não sou, sustentando situações insustentáveis para agradar aos outros e me desagradando?

Onde me escondo? Será que nos cuidados excessivos e exaustivos na busca de um corpo perfeito que suprime o que há de mais belo e profundo na minha alma?

A grande arte da vida está, de fato, em sair do esconderijo de nós mesmos, que nos escraviza, nos submete a dores, nos ilude, nos amedronta, nos distancia de nós mesmos. Sair do esconderijo interior é ter a coragem de enfrentar-se, de olhar-se de frente, é aceitar-se como se é e não ter medo de abandonar as máscaras pesadas que impedem o sorriso mais sincero, que bloqueiam o contato com os nossos mais nobres sentimentos. Sair do esconderijo é permitir-se ao convívio consigo próprio e com o outro, é ter a capacidade de enxergar a vida com um novo olhar, é se permitir errar, é não arrastar culpas por toda a vida. Sair do esconderijo é seguir em frente, alimentando o desejo constante na busca de si mesmo.

Autora: Verônica Menezes

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Espiritismo, vida e pós-modernidade

pessoa-triste-olhando-o-horizonte-solA vida apresenta, cada vez mais, uma complexidade de compreensão e adequação maior. A noção de tempo-espaço vincula as consciências a uma realidade imediata e afasta o ser humano do que lhe é mais essencial e movimenta a vida. Ansiedades, angústias, transtornos, doenças diversas apresentam ao Ser encarnado indicativos de que é preciso ampliar a capacidade de perceber a realidade na qual se está inserido e atualizar a sua visão de mundo.

 O universo conspira para que os horizontes espirituais sejam perceptíveis e alcançáveis. Direciona a realização da vida objetiva apontando a necessidade de transcender os imperativos de estímulos externos que distanciam o Ser da sua natureza essencial. Apesar do estado de sonolência, há um movimento que arrasta a individualidade ao processo de despertamento da vida consciente.

 O Espiritismo tem apresentado uma proposta de compreensão progressiva acerca da realidade, convidando o indivíduo a uma mudança de direção no curso da vida. A doutrina favorece, através do paradigma espiritual, novos horizontes a serem explorados, proporcionando ampliado sentido por meio da conscientização da imortalidade. Convoca, dessa forma, aqueles que são atraídos a novas vivências, experiências significativas, que preenchem o vazio decorrente da desconexão de si mesmo.

  Contudo, verificam-se lacunas quanto à conscientização da imortalidade, o que dificulta um aproveitamento melhor dos recursos que a vida oferece. As crenças, muitas vezes, são fator decisivo no processo de atualização do Espírito, estagnando-o. A indiferenciação do corpo limita a progressão, evidenciando a necessidade do amadurecimento, único caminho de construir a paz que tanto se anseia.

  O Espiritismo indicando a imortalidade proporciona ao Espírito a liberdade necessária para construir seu caminho por meio do desenvolvimento de habilidades e competências que favoreçam uma melhor adequação às condições de vida que ele mesmo criou, apontando que, através da reencarnação, se estabelecem relações com seus pares e com o meio, através do exercício de papéis nas dimensões da vida encarnada, direcionando a identificação das tendências a serem educadas e o aproximando da espiritualidade que lhe é própria.

 Explorar a própria dimensão espiritual em consonância com a vida material, conscientizando-se de que a realização pessoal é exercício diário e intransferível, cria – no mundo interior – um ambiente favorável para lidar com as incoerências da vida. Nunca é demais dizer que Espiritismo é coisa séria e, desta forma, deve ser aplicado para não se correr o risco de cair em meio ao vão da inocência. Carecemos de objetivos além das realizações comuns para que a vida seja preenchida do sentido que falta como condição indispensável para uma vida coerente e satisfatória consigo mesmo, o que proporciona viver o essencial, divino, não material.

Autor: Júlio Leão

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Planejando a próxima reencarnação

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Parece não ter muita coerência quando falamos em planejar a próxima encarnação, já que muitas vezes não conseguimos cumprir o planejamento da semana, do mês, nem mesmo a famosa listinha de ano novo que já está esquecida lá pelo mês de março. Imagine se vamos conseguir dar conta de um planejamento tão distante, considerando ainda que não vamos lembrar de nada do que foi planejado! Isso parece ter tudo para não dar certo.

A notícia boa é que este planejamento não é feito de forma tão direta, linear e absoluta. O que fazemos no presente para ter uma maior possibilidade de alcançar nosso objetivo é construir um ambiente, ou situações favoráveis para que nossa lista de intenções para a próxima encarnação tenha uma chance maior de acontecer.

Se na próxima encarnação a minha intenção é trabalhar na área da astrobiologia não posso simplesmente “escrever” isso no meu planejamento e pronto. Preciso criar a sintonia que vá me favorecer a isso, podem ser cursos, livros, estudos diversos que me iniciem neste caminho. Tenho que verdadeiramente construir uma relação, um sentimento por este caminho. Preciso deixar claro na minha esfera perispiritual qual é o caminho que estou escolhendo seguir neste momento.

O planejamento é sim subjetivo e é sim construído agora. Minhas ações, meu movimento, minhas escolhas deixarão claro o que estou pretendendo e corro sérios riscos de nesta encarnação começar a colher alguns frutos desse movimento.

Somos cidadãos do universo, somos espíritos, somos imortais, utilizamo-nos de várias personagens ao longo de nossas milhares de encarnações, como atores que interpretam personagens, e por mais diferentes que essas personagens sejam, em cada uma delas há um aspecto do ator que as interpreta. Enquanto personagens não conhecemos todas as potencialidades do ator, pois vemos o nosso mundinho limitado do momento, o nosso cenário. Talvez o que estejamos planejando para o futuro seja encoberto pela visão limitada do nosso cenário atual, mas, tudo bem, não há nada de errado quanto a isso. A vida se encarregará de fazer o ajuste necessário ao nosso crescimento e considere que planejamentos podem ser ajustados ao longo do caminho. Quando se tratar de Vida (com “V” maiúsculo mesmo) nada é determinístico e imutável.

 

Siga seu plano! O seu. Não o dos outros.

 

Autora: Laísa Boaventura

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FÉRIAS

FERIAS

Chega o fim de ano e todos queremos férias. Muito justo tirar férias do trabalho, dos afazeres, da escola, da faculdade, de obrigações diversas. É natural desejar essas férias, atribuídas aos papéis que desempenhamos na vida e que nos deixam cansados, às vezes acelerados, exigindo uma pausa, um freio para desacelerar.

 

Mas quando realizamos algo que nos dá prazer, que nos causa satisfação, que foi uma escolha do mundo íntimo — “não foi uma obrigação, não é uma obrigação” — é um chamado de dentro, um desejo inexplicável às vezes… Aliás, quando é uma voz interior, é preciso tirar férias?

 

Será que posso tirar férias de mim mesmo? Se analisarmos que, mesmo de férias das obrigações da vida, não podemos tirar férias de nós mesmos, tem algo a ser analisado: do que estou tirando férias então?

 

Se pensarmos nas personagens e nos papéis que desempenhamos, fica mais claro que as férias são necessárias. O Espírito está sempre na ativa, logo não existe férias para o chamado, para a alma. Então não há motivação para as férias de seu propósito de vida. As convenções costumam misturar tudo. Cabe a nós enxergarmos o que é da personagem, e deve ser considerado, e o que é do ser espiritual, que deve comandar a vida. Essa comunicação não é coletiva e costuma trazer conflitos com as opções de fora da personagem. Dê férias as suas obrigações, tire férias de tudo que lhe coloca nas obrigações do dia a dia, essas são merecidas.

 

Evite tirar férias de sua designação, pois esse chamado não tem férias, esse é o lado espiritual que convoca a descobrir seu Tesouro, sua Pérola, seu Reino.

 

Autor: Luciano Menezes

 

 

 

Data: 04-01-2018

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Sentindo e conversando com Deus

b432f499cbbc9900e1cd466ff981ef70Deus sempre aponta a seta, nem sempre reta, mas sempre certa.

Deus sempre aponta o caminho. Mesmo fora do ninho, você nunca está sozinho.

Deus sempre nos dá a liberdade, independente da idade, para sermos felicidade.

Deus sempre está com a gente nas lutas, mesmo quando é com a gente mesmo a maior disputa.

Deus está sempre dentro de nós, porque, do amor, Deus é a voz que desata nós e constrói laços em nós.

Deus é amor profundo pra quem pisa fundo e decora seu próprio mundo.

Deus é guia. É o vencer do dia a dia. Deus é amuleto, é predicado e é sujeito. É tratar o seu próximo com respeito.

Deus sou eu, é você e somos nós. Ele é o amor perfeito do silêncio quando estamos a sós.

Deus é a natureza, é a grandeza da beleza que habita em cada certeza.

Deus é o retrato da vida, é chegada e é partida numa estrada colorida.

O meu Deus é desse jeito: aos seus olhos sou perfeito e transbordo amor no peito.

Se em Deus não acredita, torne sua vida mais bonita, solte no céu uma pipa, feche os olhos e reflita e sinta onde Deus habita.

 

**Sentindo e conversando com Deus numa madrugada de insônia. Obrigada, Deus!

Autora: Aila Menezes

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A história de Ruby Bridges

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Com 6 anos de idade, Ruby Bridges tornou-se voluntária, pelos seus pais, para participar de um procedimento de integração em uma escola de brancos do sul dos Estados Unidos da América, região que insistia em não respeitar a lei pelo fim da segregação racial. Ruby Bridges foi aceita por imposição da Justiça e estou no Jardim da Infância da William Frantz Elementary School, de Nova Orleans.
O caminho para escola no seu primeiro dia de aula foi marcado por apalpamentos ruidosos de donas de casa e adolescentes brancos enraivecidos, medo e racismo. E quando entrou na escola, Ruby encontrou um espaço silencioso e vazio. Mães furiosas tiraram as suas crianças da escola, alegando que elas só voltariam quando a menina negra saísse.

 

Os professores também se recusaram a trabalhar, à exceção da educadora Barbara Henry. Assim, por todo o ano letivo, a escola ensinou apenas para cinco alunos. Ruby e outros quatro estudantes brancos.
Mas chegar e sair da escola não foi um desafio só no primeiro dia de aula. Os protestos na rua eram constantes e recheados de violência física e psicológica. Era uma mulher que protestava do lado de fora com um caixão de criança coberto por uma camisola negra, outra que prometia envenenar a menina, outros ainda que atiravam objetos em seu corpo, gritavam palavras pesadas, desrespeitosas…
A situação era tão grave que durante meses, Ruby, com seus 6 anos de idade, teve que ir e voltar da escola acompanhada por agentes federais. Mesmo assim, “ela não desistiu, não chorou, sequer fraquejou. Era uma pequena soldada” – palavras de Charles Burks, um dos policiais que a escoltavam.
História
Ruby Bridges é um ícone do movimento pelos direitos civis e o seu livro “Through My Eyes” conta a história de como era ser uma garota negra de 6 anos de Nova Orleans, Louisiana, que preparou o terreno para a integração escolar.

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Em 1954, ano em que Ruby nasceu, o Supremo Tribunal dos EUA ordenou o fim do “separados mas iguais” na educação para crianças africano-americanas. Escolas no sul do país ignoraram a decisão.  À Louisiana foi dado o prazo até final de setembro de 1960, para integrar as escolas de Nova Orleans. Elas c
omeçariam com os Jardins de Infância  e iriam  integrar um ano escolar de cada vez.
Ruby Bridges era apenas uma das cinco crianças negras que passaram no teste para determinar quais crianças seriam enviadas para as escolas dos “brancos”. O teste foi criado para impedir as crianças negras de conquistarem uma vaga. Mas Ruby se destacou intelectualmente e, por isso, a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor procurou os Bridges para que Ruby fosse uma das primeiras crianças negras a estudar numa tradicional escola de brancos. Mesmo receosos, os pais autorizaram.
Ruby Bridges vive em Nova Orleans. Criou, em 1999, a Fundação Ruby Bridges que, além de combater o racismo, trabalha com inclusão social.
Seus pais também não escaparam. Foram severamente ameaçados, perseguidos. Todos aguentaram e, no ano seguinte, Ruby não estava mais sozinha na escola. Inspirados por sua coragem e pela coragem de sua família, outras crianças negras foram matriculadas na William Frantz Elementary School.
Fonte: http://ppaberlin.com/2011/11/13/a-pequena-ruby-bridges-e-a-historia-do-racismo-nos-eua/
Artigos

Planos

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É comum as pessoas planejarem para suas vidas, de forma realizada, muitas coisas boas: um bom emprego, bom salário, carro, casa boa, um excelente casamento, filhos e família, dentro de uma expectativa muito favorável, deixando claro a forma idealizada desses desejos e projeções.

 É importante que as pessoas, de fato, queiram e busquem o melhor para si, que procurem construir com todo esforço os seus desejos de conquistar o mundo, mas é importante também criar o “plano B”, considerando que o anterior é o “plano A”. No “plano B” comporta tudo que não deu certo, tudo que não aconteceu como programado ou idealizado. Devemos entender que tudo que não pode ser realizado na idealização do “plano A” é porque precisamos aprender alguma coisa, rever os caminhos e as estratégias que foram seguidas, e refazê-los. Porém tem coisas que fogem de tudo o que pensamos, tudo que não conseguimos. Devemos pensar então se o que idealizamos não foi uma fantasia. Por exemplo, família. Todo mundo quer uma família perfeita e isso não é possível. Filhos perfeitos, casamento sem problemas, salário sem déficit. Tudo isso perpassa por um processo de aprendizado. Podemos entender que quem não teve o que desejou ou idealizou deve tirar da experiência um aprendizado. Nós, espíritos, precisamos desenvolver habilidades, e todas essas funções nos convidam a desenvolver habilidades para que possamos aprender a nos relacionarmos com o mundo de forma madura e que agregue valor ao espírito. Portanto, o “plano B” nos convida a sair da fantasia do idealizado para a realidade do que acontece de concreto em nossas vidas que sempre tem algo a nos ensinar.

Autor: Luciano Menezes

Artigos, Movimento Espírita

OBSESSÃO: UM OLHAR PARA O EU

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A obsessão é um fenômeno que apresenta uma complexa análise em sua performance. Falar de obsessão é necessariamente falar do ser humano, suas dores, suas angústias, sua intimidade. É um tema muito estudado, discutido e falado no movimento espírita, mas que ainda carece de maior e mais profunda atenção dada sua natureza inter-relacional. Em última análise, o fenômeno obsessivo revela um olhar para o eu, tanto do que se convencionou chamar de obsessor quanto do obsediado. Com a consciência velada pelos elementos emocionais que os vinculam, ambos são, antes de qualquer coisa, “prisioneiros” de si mesmo.

O fenômeno da obsessão suscita confusão ainda hoje quanto ao seu entendimento. Por isso, é importante estabelecer inicialmente a diferença entre obsessão e interferência espiritual negativa. Uma e outra se distanciam quanto ao objetivo. Na relação obsessiva, há uma consciência empreendendo esforços para causar prejuízo, para fazer o mal à outra. Observa-se aí uma vontade deliberada em ocasionar o mal. Já na interferência espiritual negativa o mal causado não é o objetivo do seu causador que, muitas vezes, nem sabe que está fazendo o mal.

Em seu intenso trabalho de estruturação e divulgação das bases do Espiritismo, Allan Kardec reservou um capítulo próprio em O Livro dos Médiuns para tratar do assunto, tamanha a relevância do tema. Já em O Livro dos Espíritos, o princípio da obsessão é delineado pelos Espíritos, quando, na questão 467, respondem à pergunta de Kardec: “Podemos nos livrar da influência dos Espíritos que nos chamam com insistência ao mal? Sim, porque eles somente se ligam àqueles que os solicitam pelos desejos ou os atraem pelo pensamento”.

Em O Livro dos Médiuns, Kardec define obsessão como “o império que alguns Espíritos sabem tomar sobre certas pessoas”. Esclarece ainda que “a obsessão apresenta caracteres diversos”, estabelecendo, no entanto, apenas três grandes grupos para graduar o que chama de “constrangimento e suas consequências de um Espírito sobre o outro”: a obsessão simples, uma influência simplesmente desagradável, leve; a fascinação, uma influência bem mais grave, apresentada como uma ilusão produzida por um Espírito que engana o médium sem que ele saiba; e a subjugação, moral ou corporal, verdadeiro domínio que um Espírito exerce sobre outro, paralisando a vontade de quem sofre. Contudo, é em A Gênese que Kardec torna indiscutível a problemática da obsessão, quando estabelece que “é sempre o resultado de uma imperfeição moral”.

Quando analisamos o raio x da obsessão com as lupas da atenção, compreensão, sinceridade e humildade, percebemos que, além de uma relação obsessor-obsediado, há todo um contexto histórico estruturador, sendo o fenômeno apenas a equação de uma história. Nessa história protagoniza a incompreensão de nós mesmos, evidenciada pela dor e pelo sofrimento humano. Carecemos muito de inteligência emocional ainda e, em diversos níveis de sono, não conseguimos perceber o nosso papel e para onde apontam as relações que estabelecemos com o mundo dos encarnados e dos desencarnados.

Tratando da natureza, origem e destino do Espírito imortal, o Espiritismo, jogando luz em questões ainda muito resistidas em aceitação e incompreendidas, apresenta uma teoria que nos proporciona meios para olhar para essa realidade enquanto indivíduos propícios a viver essa experiência. As teorias espíritas, em particular as que estão relacionadas ao fenômeno da obsessão, regidas pela educação do espírito através da reforma íntima, coloca-nos sob a responsabilidade de construir e conquistar a autonomia para gerir nosso destino quase sempre obscurecida pela ilusão, culpa, orgulho, egoísmo, fruto da imaturidade de consciências ainda à espera de salvadores e guias.  

Desde o início das suas publicações o professor Kardec registrou, junto com os Espíritos, a responsabilidade que sempre nos cabe, se não no todo pelo menos em parte, como podemos ver na resposta à Questão 474 de O Livro dos Médiuns: “(…) Mas ficai sabendo que essa dominação nunca se efetua sem a participação daquele que a sofre, seja por sua fraqueza, seja por seu desejo (…)”. É por isso que, observando a estreitíssima relação entre quem supostamente faz o mal e quem o sofre, e identificando nessa relação a fragilidade atuante pela dor e sofrimento dos envolvidos nas relações obsessivas, enfatizamos a importância e a necessidade da intransferível tarefa de olharmos para nossa intimidade, desvelando as aparências proporcionadas por maya e levando à consciência a realidade das verdades imersas, dando novos contornos à concepção de vida.

Somente a partir do olhar para o eu, muito trabalho, coragem, persistência e uma transformação contínua nas raízes da alma, é que a verdadeira cura será proporcionada, afastando assim, progressivamente, as possibilidades de se viver experiências desse nível. O amadurecimento da alma reclama a educação na área intelectual e afetiva e o exercício constante nas diversas dimensões da vida.

Autor: Júlio Leão

 

 

 

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Estamos indo – Por Luciano Menezes

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Dizem no senso comum que a morte nos visita no dia que vamos descansar. Ledo engano, pois o dia que de fato desencarnamos não foi a primeira visita. Estamos a todos os dias vivendo a experiência de sermos visitados pela morte. Todos os dias, desde quando nascemos, a cada dia, a vida nos oportuniza desencarnarmos a personalidade que estamos vivendo.

Quando dormimos todos os dias temos a oportunidade de sairmos de cena como se não estivéssemos no corpo, essa experiência vai nos preparando cotidianamente para o momento final em que a personalidade se vai e permanece viva a essência que é o espírito. A ideia de finitude e de que vamos morrer nos causa angústia, mas assim é, já que a imortalidade será provada a nós mesmos para que nos desapeguemos de maya¹, que nos aprisiona e nos dá a ilusão de que essa vida é o que importa.

Somos solitários. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. Somos uma individualidade única, singular. Cada um tem sua própria história e estamos de frente com isso todos os dias dentro de nós. Escolher ou ter a liberdade de nos vermos como seres imortais nos causa medo, o livre arbítrio nos causa a angústia de fazermos nossa própria escolha sem responsabilizar a ninguém. Estamos indo.

¹Maya:palavra em Sânscrito que significa ilusão