Artigos, Movimento Espírita

Meu corpo, meu templo

 
A busca do corpo perfeito, nos dias atuais, nos tem feito esquecer a importância real que nosso corpo possui.
 
A ditadura da beleza tem sido a mais cruel opositora do autoamor. Através da busca incessante da perfeição, vamos construindo padrões distorcidos e decretando sentenças que tem levado pessoas a falência de suas forças, a rejeição de aspectos importantes do nosso corpo, que deveriam ser nossos aliados para conquista do nosso bem-estar.
 
O corpo que possuímos é o corpo que precisamos para caminhar. Ele carrega a comprovação da nossa genética, as nossas raízes, em alguns casos poderíamos dizer que é a somatização das dores e angústias representadas nele. O corpo traz ainda as marcas da nossa ancestralidade, o que muitas vezes queremos apagar os registros que garantem o nosso pertencimento e característica da etnia de um povo.
 
A busca do corpo perfeito, pode ser comparado a corrida do ouro. Nessa busca, muitos se perdem, se distanciam de si mesmos e caminham para um vazio que nunca será preenchido.
 
Precisamos fazer as pazes com o espelho e reconhecer em nós a nossa beleza que é única e genuína. Precisamos estar atentos aos critérios de beleza estabelecidos pela mídia, pela sociedade, critérios estes, que nos aproximam cada vez mais dos procedimentos cirúrgicos, das insatisfações e distorções de imagem, pois aos olhos de muitos, nunca atingiremos esta meta estabelecida por um sistema adoecedor, que nos ensina desde tenra infância a rejeitar a nós mesmos, a buscar mecanismos que extrapolam os nossos limites.
 
A cada encarnação temos o corpo que precisamos, e dele devemos fazer o nosso templo de conexão com algo muito maior do que enxergamos. O corpo que vemos é apenas a expressão do que construímos ao longo das nossas existências, e a cada momento vamos construindo as possibilidades para que no futuro possamos ter uma compreensão maior sobre o corpo que nos representa e nos conduz na vida como um veículo que nos leva para onde precisamos ir.
 
Precisamos responder a algumas perguntas para que a consciência seja cada vez maior sobre nosso corpo:
*O corpo que tenho atende as minhas necessidades desta encarnação?
*Até onde posso caminhar com o corpo que tenho?
*Quais os mistérios que envolvem o meu corpo?
*Quais conquistas o meu corpo me permitiu realizar?
Estas e outras perguntas, com certeza, nos levarão a desenvolver maior respeito pelo corpo que possuímos, despertando em nós a consciência de que o nosso corpo é o nosso templo de recolhimento, nosso porto seguro, nossa casa, nosso jardim.
Autora: Verônica Menezes
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Aprendendo a Jogar

“Vivendo e aprendendo a jogar, vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”.
Jogar é colocar-se à prova sem a pretensão de levar vantagens sempre; jogar é estar pronto para enfrentar os desafios com otimismo. Jogar é ter equilíbrio das emoções que se manifestam involuntariamente; é sentir o coração pulsar e seguir o ritmo que ele determina.
Jogar é promover a esperança não esquecendo que a derrota permeia o mesmo espaço; é estar preparado para as críticas daqueles que ficam na arquibancada projetando seus sonhos e expectativas nos nossos resultados.
Jogar é estar pronto para recomeçar quando o resultado não for o esperado.
Precisamos aprender a jogar na vida, não desistir diante as dificuldades, levantar,  se por acaso cair. Precisamos ter garra,  porque nem sempre a vitória poderá ser nossa. Os esforços dos nossos adversários certamente são semelhantes aos nossos, portanto esses não nos credenciam a obter a vitória sempre.
“Nem sempre vencendo nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”.
Que aprendamos de fato a jogar com lealdade, respeitando nossos adversários como pessoas que se esforçam tão bem quanto nós e, quando formos derrotados no jogo, que continuemos jogando,  para, mais adiante, conquistarmos a vitória tão desejada, lembrando que as experiências nos amadurecerão para os futuros embates, nos tornando fortes o suficiente para enfrentarmos todo e qualquer desafio que a vida nos oportunize.
Jogar bem é sabedoria e exige de nós habilidades que muitas vezes não desenvolvemos, que aguardam o nosso aprendizado para a conquista do êxito.
Que o jogo da vida nos habilite a sermos mais humanos a cada dia, não esquecendo as regras que o próprio jogo nos impõe: que, independente do resultado, sigamos em frente, porque nem sempre quem ganha aproveita as vantagens da vitória, e nem sempre quem perde o jogo perde as possibilidades de voltar a jogar munido de ferramentas que possibilitem uma futura vitória.
Autora: Verônica Menezes
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A dor do corpo é a dor que a alma grita

-files-images-img_57f2d3c97681dA cada dia surge, em cada canto da cidade, uma nova farmácia, funcionando em regime de 24 horas para atender às demandas dos que procuram solução para suas dores. Isso é mais um reflexo do quanto a alma grita e não a escutamos.

Não é raro vermos filas em farmácias, mesmo tarde da noite. Parecem pessoas à espera para diversão (como acontece nos cinemas, parques, etc.), mas, na verdade, elas estão na tentativa de suavizar suas dores físicas, inconscientemente driblando os sintomas e efeitos das emoções que castigam impiedosamente seus corpos.

Enquanto continuarmos olhando para fora, atropelando nossos sentimentos e ignorando as nossas emoções, a alma continuará sofrendo, exigindo a atenção e cuidado necessário. As doenças se manifestam traduzindo no corpo as consequências das emoções que precisam ser vistas, compreendidas e trabalhadas.

A psicossomática é uma ciência que tem trazido contribuições interessantes para a medicina, através do estudo das doenças que se manifestam no corpo, mas não começam nele. Também tem apontado para raízes que se iniciam nas questões subjetivas da vida, somadas a emoções ainda desconhecidas e ignoradas que merecem atenção e respeito.

Muitas doenças, dores, feridas, fraturas, dentre tantas outras enfermidades, são justificadas e reconhecidas quando olhamos para o nosso mundo interior, compreendendo que não somos apenas um corpo físico. Precisamos expandir o nosso olhar para além desse corpo, mergulhando nas camadas dos corpos emocional e espiritual.

O corpo físico sente o que a alma grita. A partir das experiências mal vividas, nesta e em outras vidas, vamos somando as emoções represadas, não aceitas e rejeitadas por nós. Em nossas vivências, muitas vezes calamos o que desejamos gritar, ouvimos o que não mais suportamos escutar, sentimos e não manifestamos os nossos sentimentos, ocultando os nossos desejos e vontades.

Vivemos prisioneiros de nossos próprios sentimentos, ignoramos nossos anseios, fingimos e mentimos para nós mesmos a todo tempo. Vivemos uma vida artificial, superficial e morna, que resulta nas enfermidades do corpo, que sinalizam uma alma que necessita de acolhimento, respeito, liberdade.

A saúde do corpo é resultado da saúde da alma. Os remédios muitas vezes suavizam, de fato, as dores físicas, porém mascaram as dores que jamais serão percebidas se continuarmos acreditando que o nosso corpo físico é o começo e o fim de tudo. Nada começa no corpo e muito menos termina nele.

Precisamos mergulhar profundamente em nós e descobrir a nossa imensidão. Só assim encontraremos a cura real da nossa alma, aliviando as nossas dores que se arrastam, trazendo ao nosso corpo físico a cura tão desejada.

Autora: Verônica Menezes

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Onde está a espiritualidade?

espiritualidadeHá um movimento que impulsiona pessoas cada vez mais a buscar o espiritual sob diversos contextos. Crise existencial, doenças, insatisfações, angústias, problemas na relação amorosa, desemprego, etc. são narrativas que servem de pano de fundo para queixas, as mais diversas, cujos contextos muito parecidos movimentam para essa busca.

A complexidade, cada vez maior, que se encontra na vida e consequentemente no viver provoca demandas que não comportam mais as explicações simplistas e reducionistas de compreender as ocorrências, que a todo momento denunciam a falta de habilidade nas interações que estabelecemos.

Muitos são os recursos criados para que possamos nos aperfeiçoar e criar condições favoráveis para vivermos. Porém, sempre haverá um limite prejudicial se não contemplamos o espiritual. Nessa dimensão, encontramos um vasto horizonte de possibilidades, mas que, se não bem aproveitadas, tendem a cair em meio ao vão da credulidade. O espiritual é subjetivo por natureza e, assim sendo, impulsiona o indivíduo ao acesso de aspectos mais profundos e ainda muito incompreendidos.

O Espiritismo fornece princípios que proporcionam a busca por essa compreensão, legitimada através da própria experiência, levando à constatação de que somos Espíritos imortais. Apresentando Deus como uma causa e tratando o fenômeno da reencarnação como mecanismo de atualização de habilidades e aquisição de valores, o Espiritismo favorece encontrarmos os indicativos que aplicados nos posicionam positivamente na vida.

Muito se fala em espiritualização, evolução, iluminação, mas pouco se faz pelo espiritual. Espiritualidade não é isso nem aquilo, não está nos templos, nas igrejas, nos terreiros nem nos centros espíritas; não está no dar nem no fazer, mas sim em como tudo isso ocorre, transpondo as conversões do subjetivo.

Podemos entender a espiritualidade como um conjunto de elementos que proporcionam viver com coerência e sensatez, como amorosidade, respeito, responsabilidade, firmeza, espontaneidade, alegria, perspicácia, maturidade, autodeterminação, etc. Espiritualidade é ir ao encontro do sentido existencial, novos conceitos e entendimentos, ampliar a visão de mundo e apreensão da realidade, que mobiliza forças internas para realização de ações que promovam o entendimento do funcionamento da vida, o funcionamento de si mesmo, para alcançar a profundidade da subjetividade individual.

 Não basta fazer algo ou alguma coisa, é preciso fazer com sentido, ir além, implicar-se em tudo que se faz, pois a espiritualidade está presente em cada gesto, cada pensamento, cada sentimento que existe em nós. Espiritualidade é também viver cada experiência como ela é, levando em consideração aspectos considerados favoráveis e desfavoráveis, mantendo a compostura e também perdendo a compostura, “acertando” e “errando”, criando e recriando, mas sempre buscando o sentido de cada experiência para progressivamente alcançar a adequação nas interações da vida.

Sentido gera vida, que gera movimento, que gera experiências, que gera aprendizados, que gera adequações e aperfeiçoamento, que gera vida. Espiritualizar-se é encontrar o sentido para cada momento, cada objeto, cada movimento, adicionando alegria e bom ânimo, identificando o propósito e viver com intensidade, aproveitando as possibilidades sem medo das experiências de viver.

 

Autor: Júlio Leão

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Religião e Religiosidade

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Muitas vezes, ao nascer, já herdamos de nossos pais, familiares ou pessoas responsáveis por nossa educação, a religião que eles seguem.  A religião da maioria. Podemos nascer numa família  ateia, embora isto  pareça não ser a regra, pelo menos não em nosso País.

Podemos seguir por aquele caminho sem questionamentos, até o momento em que começamos a fazer nossas próprias perguntas.  Nossa alma passa a exigir respostas que fórmulas e preces repetidas de forma dogmáticas não se encaixam mais. Buscamos aprofundamento na religião que seguimos para encontrar estas respostas, ou mudamos, se não as encontramos.

Esse nosso anseio interno pelo espiritual é o que chamamos de religiosidade. Ele é inato, está em nós. A religião é o caminho (externo) que talvez nos ajude a chegar aonde almejamos, se é que existe uma linha de chegada para esta busca, pois como seres humanos imperfeitos (na verdade há uma redundância aqui), pois ser um humano, já nos caracteriza como imperfeitos, continuemos: como seres humanos, mudamos todos os dias, aprendemos todos os dias, queremos outros caminhos todos os dias, e a religião que eu sigo precisa comportar estas mudanças. Se ela não consegue mais me trazer as reflexões que preciso para que este contato com o espiritual continue, provavelmente aquele caminho não será mais motivador. Outra forma de ligação surgirá. Talvez até uma religião pessoal. Não, não estamos falando em fundar uma igreja ou uma nova religião, mas em você encontrar o seu local sagrado em você mesmo.

Religião não é algo permanente na vida de ninguém. Posso sim abandonar aquele caminho religioso e encontrar um outro, ou transformá-lo ou adaptá-lo às minhas buscas. A religião precisa se adequar as mudanças de vida que ocorrem com cada um de nós. A religião precisa ser atualizável e adaptável. E aí você pensa: somos muitos, muito diferentes, será impossível uma religião atender a tantos! Sim, por isso que temos a diversidade religiosa, por isso precisamos respeitar o caminho de cada um, as escolhas de cada um, assim como queremos respeito pelas nossas escolhas.

Somos diferentes, temos ideias diferentes, comportamentos diferentes, culturas diferentes, valorizamos mais algumas coisas do que outras, a depender da cultura em que estamos inseridos. E mesmo inseridos em uma mesma cultura, continuamos diferentes. Uma coisa porém é comum: nosso desejo pelo espiritual, nossa busca pelo divino, nossa religiosidade.  Como espíritos imortais, por quantas religiões já passamos? Quantos caminhos já experimentamos? Sua religião lhe leva a reflexões constantes? Sua religião consegue traduzir, nem que seja em parte, a sua religiosidade?

Autora: Laísa Boaventura

 

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O trabalho mediúnico

Omediunidades espíritos estão sempre a serviço do ser encarnado para realizar trabalhos que possam ajudar a qualquer vida entre os encarnados. Muitas vezes eles encontram dificuldades entre os médiuns por conta de suas dúvidas, incertezas e inseguranças. Outro aspecto nessa relação é que nós, encarnados, não tratamos a mediunidade com naturalidade e usamos o padrão espírita como único modelo para nos relacionarmos com a mediunidade. É necessário que se faça um trabalho de investigação acerca da mediunidade com base nos livros de Allan Kardec. Além disso, é necessário também vivenciar a experiência mediúnica em si mesmo, tirando dúvidas, naturalmente, com relação à teoria e à prática mediúnica. Ao lado disso, ou concomitante, é também importante um trabalho de autoanálise. Conhecer-se é fundamental para que se torne um melhor intérprete do que os espíritos trazem. A frase de Descartes “Penso, logo existo” aponta para a importância do pensamento para o ser encarnado. Essa matéria do pensar é a realidade do espírito eterno, ou seja, não é possível não pensar. É nesse campo que nasce o pensamento do espírito comunicante para nos trazer informações a respeito da vida. A comunicação acontece no inconsciente, esse é um dos motivos de não se ter tanta certeza da comunicação. Assim sendo, o trabalho de reforma e de crescimento interior é talvez o mais importante ingrediente para facilitar a influência dos espíritos nos conteúdos que eles querem nos trazer.

Autor: Luciano Menezes

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Onde me escondo?

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Onde me escondo? É imprescindível que eu me faça essa pergunta pela mais importante necessidade que tenho de me descobrir, de me encontrar e de me entender melhor. Vivemos escondidos de nós mesmos de forma que nem sabemos quem verdadeiramente somos.

Vivemos iludidos e escondidos em nossas próprias profundezas onde existem vários
esconderijos nos quais nos refugiamos ao longo de nossa vida e aprendemos, desde muito cedo, a arte de nos esconder como a melhor opção de sobrevivência. Aprendemos a esconder os nossos sentimentos, pensamentos, desejos etc.

Essa “arte de esconder” tem nos distanciado de nós mesmos, promovendo um imenso abismo em nosso mundo íntimo e nos colocando no caminho rumo a angústias, aflições, doenças e tantas outras situações que subtraem o nosso brilho, a nossa liberdade e o desejo de realizar e ser feliz.

Onde me escondo? Será que por trás de atitudes que camuflam os mais nobres sentimentos, sabotando as ações que poderiam facilitar as relações familiares, afetivas e sociais?

Onde me escondo? Será que submersa nas mentiras, enganos, ilusões e lamentações que justificam a permanência no sono profundo, nutrindo o medo por acordar para a realidade de mim mesma?

Onde me escondo? Será que envolvida no véu que encobre a minha visão sobre mim mesma, impedindo o desejo de encontrar respostas que esclareçam as minhas próprias perguntas: de onde vim? Quem sou? Para onde vou?

Onde me escondo? Será que mergulhada em alguém que não sou, sustentando situações insustentáveis para agradar aos outros e me desagradando?

Onde me escondo? Será que nos cuidados excessivos e exaustivos na busca de um corpo perfeito que suprime o que há de mais belo e profundo na minha alma?

A grande arte da vida está, de fato, em sair do esconderijo de nós mesmos, que nos escraviza, nos submete a dores, nos ilude, nos amedronta, nos distancia de nós mesmos. Sair do esconderijo interior é ter a coragem de enfrentar-se, de olhar-se de frente, é aceitar-se como se é e não ter medo de abandonar as máscaras pesadas que impedem o sorriso mais sincero, que bloqueiam o contato com os nossos mais nobres sentimentos. Sair do esconderijo é permitir-se ao convívio consigo próprio e com o outro, é ter a capacidade de enxergar a vida com um novo olhar, é se permitir errar, é não arrastar culpas por toda a vida. Sair do esconderijo é seguir em frente, alimentando o desejo constante na busca de si mesmo.

Autora: Verônica Menezes

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Espiritismo, vida e pós-modernidade

pessoa-triste-olhando-o-horizonte-solA vida apresenta, cada vez mais, uma complexidade de compreensão e adequação maior. A noção de tempo-espaço vincula as consciências a uma realidade imediata e afasta o ser humano do que lhe é mais essencial e movimenta a vida. Ansiedades, angústias, transtornos, doenças diversas apresentam ao Ser encarnado indicativos de que é preciso ampliar a capacidade de perceber a realidade na qual se está inserido e atualizar a sua visão de mundo.

 O universo conspira para que os horizontes espirituais sejam perceptíveis e alcançáveis. Direciona a realização da vida objetiva apontando a necessidade de transcender os imperativos de estímulos externos que distanciam o Ser da sua natureza essencial. Apesar do estado de sonolência, há um movimento que arrasta a individualidade ao processo de despertamento da vida consciente.

 O Espiritismo tem apresentado uma proposta de compreensão progressiva acerca da realidade, convidando o indivíduo a uma mudança de direção no curso da vida. A doutrina favorece, através do paradigma espiritual, novos horizontes a serem explorados, proporcionando ampliado sentido por meio da conscientização da imortalidade. Convoca, dessa forma, aqueles que são atraídos a novas vivências, experiências significativas, que preenchem o vazio decorrente da desconexão de si mesmo.

  Contudo, verificam-se lacunas quanto à conscientização da imortalidade, o que dificulta um aproveitamento melhor dos recursos que a vida oferece. As crenças, muitas vezes, são fator decisivo no processo de atualização do Espírito, estagnando-o. A indiferenciação do corpo limita a progressão, evidenciando a necessidade do amadurecimento, único caminho de construir a paz que tanto se anseia.

  O Espiritismo indicando a imortalidade proporciona ao Espírito a liberdade necessária para construir seu caminho por meio do desenvolvimento de habilidades e competências que favoreçam uma melhor adequação às condições de vida que ele mesmo criou, apontando que, através da reencarnação, se estabelecem relações com seus pares e com o meio, através do exercício de papéis nas dimensões da vida encarnada, direcionando a identificação das tendências a serem educadas e o aproximando da espiritualidade que lhe é própria.

 Explorar a própria dimensão espiritual em consonância com a vida material, conscientizando-se de que a realização pessoal é exercício diário e intransferível, cria – no mundo interior – um ambiente favorável para lidar com as incoerências da vida. Nunca é demais dizer que Espiritismo é coisa séria e, desta forma, deve ser aplicado para não se correr o risco de cair em meio ao vão da inocência. Carecemos de objetivos além das realizações comuns para que a vida seja preenchida do sentido que falta como condição indispensável para uma vida coerente e satisfatória consigo mesmo, o que proporciona viver o essencial, divino, não material.

Autor: Júlio Leão

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Planejando a próxima reencarnação

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Parece não ter muita coerência quando falamos em planejar a próxima encarnação, já que muitas vezes não conseguimos cumprir o planejamento da semana, do mês, nem mesmo a famosa listinha de ano novo que já está esquecida lá pelo mês de março. Imagine se vamos conseguir dar conta de um planejamento tão distante, considerando ainda que não vamos lembrar de nada do que foi planejado! Isso parece ter tudo para não dar certo.

A notícia boa é que este planejamento não é feito de forma tão direta, linear e absoluta. O que fazemos no presente para ter uma maior possibilidade de alcançar nosso objetivo é construir um ambiente, ou situações favoráveis para que nossa lista de intenções para a próxima encarnação tenha uma chance maior de acontecer.

Se na próxima encarnação a minha intenção é trabalhar na área da astrobiologia não posso simplesmente “escrever” isso no meu planejamento e pronto. Preciso criar a sintonia que vá me favorecer a isso, podem ser cursos, livros, estudos diversos que me iniciem neste caminho. Tenho que verdadeiramente construir uma relação, um sentimento por este caminho. Preciso deixar claro na minha esfera perispiritual qual é o caminho que estou escolhendo seguir neste momento.

O planejamento é sim subjetivo e é sim construído agora. Minhas ações, meu movimento, minhas escolhas deixarão claro o que estou pretendendo e corro sérios riscos de nesta encarnação começar a colher alguns frutos desse movimento.

Somos cidadãos do universo, somos espíritos, somos imortais, utilizamo-nos de várias personagens ao longo de nossas milhares de encarnações, como atores que interpretam personagens, e por mais diferentes que essas personagens sejam, em cada uma delas há um aspecto do ator que as interpreta. Enquanto personagens não conhecemos todas as potencialidades do ator, pois vemos o nosso mundinho limitado do momento, o nosso cenário. Talvez o que estejamos planejando para o futuro seja encoberto pela visão limitada do nosso cenário atual, mas, tudo bem, não há nada de errado quanto a isso. A vida se encarregará de fazer o ajuste necessário ao nosso crescimento e considere que planejamentos podem ser ajustados ao longo do caminho. Quando se tratar de Vida (com “V” maiúsculo mesmo) nada é determinístico e imutável.

 

Siga seu plano! O seu. Não o dos outros.

 

Autora: Laísa Boaventura

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FÉRIAS

FERIAS

Chega o fim de ano e todos queremos férias. Muito justo tirar férias do trabalho, dos afazeres, da escola, da faculdade, de obrigações diversas. É natural desejar essas férias, atribuídas aos papéis que desempenhamos na vida e que nos deixam cansados, às vezes acelerados, exigindo uma pausa, um freio para desacelerar.

 

Mas quando realizamos algo que nos dá prazer, que nos causa satisfação, que foi uma escolha do mundo íntimo — “não foi uma obrigação, não é uma obrigação” — é um chamado de dentro, um desejo inexplicável às vezes… Aliás, quando é uma voz interior, é preciso tirar férias?

 

Será que posso tirar férias de mim mesmo? Se analisarmos que, mesmo de férias das obrigações da vida, não podemos tirar férias de nós mesmos, tem algo a ser analisado: do que estou tirando férias então?

 

Se pensarmos nas personagens e nos papéis que desempenhamos, fica mais claro que as férias são necessárias. O Espírito está sempre na ativa, logo não existe férias para o chamado, para a alma. Então não há motivação para as férias de seu propósito de vida. As convenções costumam misturar tudo. Cabe a nós enxergarmos o que é da personagem, e deve ser considerado, e o que é do ser espiritual, que deve comandar a vida. Essa comunicação não é coletiva e costuma trazer conflitos com as opções de fora da personagem. Dê férias as suas obrigações, tire férias de tudo que lhe coloca nas obrigações do dia a dia, essas são merecidas.

 

Evite tirar férias de sua designação, pois esse chamado não tem férias, esse é o lado espiritual que convoca a descobrir seu Tesouro, sua Pérola, seu Reino.

 

Autor: Luciano Menezes

 

 

 

Data: 04-01-2018