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A dor do corpo é a dor que a alma grita

-files-images-img_57f2d3c97681dA cada dia surge, em cada canto da cidade, uma nova farmácia, funcionando em regime de 24 horas para atender às demandas dos que procuram solução para suas dores. Isso é mais um reflexo do quanto a alma grita e não a escutamos.

Não é raro vermos filas em farmácias, mesmo tarde da noite. Parecem pessoas à espera para diversão (como acontece nos cinemas, parques, etc.), mas, na verdade, elas estão na tentativa de suavizar suas dores físicas, inconscientemente driblando os sintomas e efeitos das emoções que castigam impiedosamente seus corpos.

Enquanto continuarmos olhando para fora, atropelando nossos sentimentos e ignorando as nossas emoções, a alma continuará sofrendo, exigindo a atenção e cuidado necessário. As doenças se manifestam traduzindo no corpo as consequências das emoções que precisam ser vistas, compreendidas e trabalhadas.

A psicossomática é uma ciência que tem trazido contribuições interessantes para a medicina, através do estudo das doenças que se manifestam no corpo, mas não começam nele. Também tem apontado para raízes que se iniciam nas questões subjetivas da vida, somadas a emoções ainda desconhecidas e ignoradas que merecem atenção e respeito.

Muitas doenças, dores, feridas, fraturas, dentre tantas outras enfermidades, são justificadas e reconhecidas quando olhamos para o nosso mundo interior, compreendendo que não somos apenas um corpo físico. Precisamos expandir o nosso olhar para além desse corpo, mergulhando nas camadas dos corpos emocional e espiritual.

O corpo físico sente o que a alma grita. A partir das experiências mal vividas, nesta e em outras vidas, vamos somando as emoções represadas, não aceitas e rejeitadas por nós. Em nossas vivências, muitas vezes calamos o que desejamos gritar, ouvimos o que não mais suportamos escutar, sentimos e não manifestamos os nossos sentimentos, ocultando os nossos desejos e vontades.

Vivemos prisioneiros de nossos próprios sentimentos, ignoramos nossos anseios, fingimos e mentimos para nós mesmos a todo tempo. Vivemos uma vida artificial, superficial e morna, que resulta nas enfermidades do corpo, que sinalizam uma alma que necessita de acolhimento, respeito, liberdade.

A saúde do corpo é resultado da saúde da alma. Os remédios muitas vezes suavizam, de fato, as dores físicas, porém mascaram as dores que jamais serão percebidas se continuarmos acreditando que o nosso corpo físico é o começo e o fim de tudo. Nada começa no corpo e muito menos termina nele.

Precisamos mergulhar profundamente em nós e descobrir a nossa imensidão. Só assim encontraremos a cura real da nossa alma, aliviando as nossas dores que se arrastam, trazendo ao nosso corpo físico a cura tão desejada.

Autora: Verônica Menezes