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Estamos indo – Por Luciano Menezes

passaro livre

Dizem no senso comum que a morte nos visita no dia que vamos descansar. Ledo engano, pois o dia que de fato desencarnamos não foi a primeira visita. Estamos a todos os dias vivendo a experiência de sermos visitados pela morte. Todos os dias, desde quando nascemos, a cada dia, a vida nos oportuniza desencarnarmos a personalidade que estamos vivendo.

Quando dormimos todos os dias temos a oportunidade de sairmos de cena como se não estivéssemos no corpo, essa experiência vai nos preparando cotidianamente para o momento final em que a personalidade se vai e permanece viva a essência que é o espírito. A ideia de finitude e de que vamos morrer nos causa angústia, mas assim é, já que a imortalidade será provada a nós mesmos para que nos desapeguemos de maya¹, que nos aprisiona e nos dá a ilusão de que essa vida é o que importa.

Somos solitários. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. Somos uma individualidade única, singular. Cada um tem sua própria história e estamos de frente com isso todos os dias dentro de nós. Escolher ou ter a liberdade de nos vermos como seres imortais nos causa medo, o livre arbítrio nos causa a angústia de fazermos nossa própria escolha sem responsabilizar a ninguém. Estamos indo.

¹Maya:palavra em Sânscrito que significa ilusão